Alienação fiduciária
Garantia usada em todo financiamento imobiliário. Enquanto você está pagando, o banco é tecnicamente o proprietário. Quando quita a dívida, a propriedade passa para seu nome. Se parar de pagar, o banco pode leiloar o imóvel sem processo judicial — rápido e definitivo.
Amortização
O pagamento que abate o saldo da sua dívida. Em todo financiamento, cada parcela tem duas partes: amortização (reduz o que você deve) + juros (o custo do crédito). SAC e Tabela Price organizam essas duas partes de formas diferentes.
Averbação
Anotação feita no cartório sobre qualquer mudança relevante no imóvel: quitação do financiamento, mudança de estado civil, demolição, acréscimo de área. Após quitar o financiamento, a averbação é o que tira o nome do banco da matrícula. Sem averbar, o banco continua aparecendo como credor mesmo com a dívida zerada.
Cap rate
Taxa de capitalização. Mede o retorno anual do imóvel como percentual do seu valor. Fórmula: Renda anual líquida ÷ Valor do imóvel × 100.
Caução
Garantia de aluguel em que o inquilino deposita antecipadamente até 3 meses de aluguel. O valor fica retido durante o contrato e é devolvido ao final, corrigido pela inflação. Simples e sem custo extra — mas a cobertura é limitada a 3 meses.
CCV — Compromisso de Compra e Venda
Contrato assinado entre comprador e vendedor antes da escritura, que formaliza valor, forma de pagamento, prazo e penalidades por desistência. Tem força legal — mas só a escritura registrada no CRI transfere a propriedade de fato. É o documento mais comum em compras na planta.
CDB
Certificado de Depósito Bancário. Você empresta dinheiro ao banco e ele paga juros. Pode render um percentual do CDI (ex: 110% do CDI) ou taxa prefixada. Tem FGC até R$ 250 mil por banco. É o principal concorrente do imóvel para quem está decidindo onde colocar o capital.
CDI
Certificado de Depósito Interbancário. Taxa de referência do mercado financeiro, quase sempre 0,1% abaixo da SELIC. Quando um CDB rende "100% do CDI", está rendendo basicamente a SELIC. É a régua mais usada para comparar investimentos — e o número que o cap rate do seu imóvel precisa superar.
Contrato de gaveta
Acordo informal de transferência de imóvel sem registro em cartório. O vendedor continua aparecendo como proprietário na matrícula. É ilegal: o imóvel pode ser penhorado por dívidas do vendedor ou bloqueado em inventário. Nunca faça.
CRI — Cartório de Registro de Imóveis
Cartório onde todos os imóveis de uma região ficam registrados. É no CRI que você consulta a matrícula, registra a escritura e averba o financiamento. Regra de ouro: sem registro no CRI, a transferência não existe juridicamente.
Escritura do imóvel
Documento lavrado em cartório de notas que formaliza a transferência de propriedade. Obrigatória para imóveis comprados à vista. Imóveis financiados usam o contrato bancário no lugar. Só tem valor jurídico quando registrada no CRI.
FGC — Fundo Garantidor de Créditos
Seguro do sistema financeiro: se o banco quebrar, o FGC devolve seu dinheiro até certo limite. Cobre CDB, LCI, LCA, conta corrente e poupança. Limite: R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Imóveis não têm FGC — mas têm o ativo físico como garantia real.
Fiador
Pessoa que assina o contrato de aluguel como garantidor: se o inquilino não pagar, o fiador é obrigado a pagar. Precisa ter imóvel próprio quitado, geralmente no mesmo município. Cada vez menos usada — foi substituída pelo seguro fiança e pela caução.
Habite-se
Autorização da prefeitura que certifica que o imóvel foi construído conforme o projeto aprovado e pode ser ocupado com segurança. Sem Habite-se, o imóvel é irregular — bancos não financiam. Em empreendimentos na planta, o Habite-se marca a data oficial de entrega das chaves.
IGP-M e IPCA
Índices que reajustam aluguéis e contratos. IGP-M (FGV): historicamente mais alto e volátil — chegou a 23% em 2020. IPCA (IBGE): inflação oficial do Brasil, mais estável. O mercado migrou para o IPCA nos contratos de longo prazo. A escolha do índice faz diferença enorme no aluguel que você vai receber daqui a 5 anos.
Imóvel na planta
Imóvel comprado antes ou durante a construção. Vantagens: preço de lançamento mais baixo, parcelamento do sinal durante a obra, potencial de valorização até a entrega. Risco principal: atraso (a lei permite até 180 dias além do prazo). Custo oculto: o saldo devedor é corrigido pelo INCC durante toda a obra.
INCC
Índice Nacional de Custo da Construção. Corrige o saldo devedor com a incorporadora durante a obra. Histórico: cerca de 7% ao ano.
Incorporadora
Empresa que idealiza, desenvolve e vende o empreendimento: compra o terreno, aprova o projeto, lança as unidades e entrega as chaves. É quem você contrata quando compra na planta. Diferente da construtora, que executa fisicamente a obra — em muitos empreendimentos, são empresas diferentes.
IPTU
Imposto Predial e Territorial Urbano. Cobrado todo ano pela prefeitura. Em SP, a alíquota para residencial fica entre 1% e 1,5%. Para o investidor é uma despesa operacional fixa — entra no cálculo do NOI e reduz o cap rate líquido.
ITBI
Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis. Pago pelo comprador na hora de registrar o imóvel. Em SP: 3% sobre o valor de compra ou valor venal, o que for maior. Em um imóvel de R$ 800 mil, são R$ 24 mil que saem do bolso na assinatura — entra na conta do custo total e reduz o cap rate real.
LCI e LCA
Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. Rendimentos isentos de IR para pessoa física (Lei 11.033/2004) — a proposta que criaria tributação de 5% (MP 1.303/2025) caducou sem virar lei. Contam com FGC até R$ 250 mil por instituição. Por serem isentas, são o benchmark mais honesto para comparar com o retorno de um imóvel: sempre líquido contra líquido.
LTV — Loan to Value
Relação entre o valor financiado e o valor do imóvel. Bancos financiam no máximo 70% LTV para imóveis de investimento — os 30% restantes devem ser pagos durante a obra.
Matrícula do imóvel
O número de identidade do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Fica o mesmo para sempre. A certidão de matrícula mostra todo o histórico: donos anteriores, dívidas, hipotecas, pendências judiciais. Sempre peça a certidão atualizada antes de assinar qualquer coisa.
NOI
Net Operating Income — resultado operacional do imóvel. Fórmula: Receita bruta de locação menos todas as despesas operacionais (condomínio, IPTU, manutenção, taxa da gestora). É a base correta para calcular o cap rate real — não use a renda bruta.
Payback
Tempo que você leva para recuperar o capital investido com a renda gerada. Fórmula: Investimento total ÷ Renda anual líquida. Exemplo: imóvel de R$ 800 mil gerando R$ 56 mil/ano líquido = payback de ~14 anos. Use sempre junto com cap rate e TIR para ter o quadro completo.
RevPAR
Revenue Per Available Room = Diária média × Taxa de ocupação. Combina os dois principais drivers da renda em um único número. Permite comparar dois imóveis de short stay com diárias e ocupações diferentes de forma justa.
ROI
Return on Investment — retorno sobre o investimento total. Fórmula: (Lucro líquido ÷ Investimento total) × 100. Diferente do cap rate porque pode incluir o ganho de capital (valorização do imóvel). Responde a pergunta final: no balanço completo, esse investimento valeu a pena?
SAC
Sistema de Amortização Constante. A amortização é fixa a cada mês, mas os juros caem conforme o saldo devedor diminui. A 1ª parcela é sempre a mais cara — e as seguintes ficam cada vez menores. No longo prazo, paga menos juros do que a Tabela Price.
Seguro fiança
Apólice que substitui o fiador e a caução no contrato de aluguel. O inquilino paga o prêmio (entre 1 e 2 meses de aluguel por ano) e a seguradora cobre o locador em caso de inadimplência, danos ao imóvel e contas em atraso.
SELIC
Taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central a cada 45 dias. Determina o retorno mínimo da renda fixa e o custo dos financiamentos. Quando a SELIC está alta, a renda fixa sem risco fica mais atrativa — e o imóvel precisa entregar mais para justificar o investimento.
SFH e SFI
Dois sistemas de financiamento imobiliário. SFH: taxa máxima de 12% a.a., financia imóveis até R$ 1,5 mi, permite usar FGTS. SFI: sem teto de taxa nem de valor — é o sistema usado na maioria dos imóveis de investimento em bairros premium de SP, onde os preços superam o limite do SFH.
Short stay
Locação por curta temporada (1 a 90 dias). Permite diárias mais altas do que a locação convencional, mas exige gestão ativa ou contratação de gestora especializada.
Tabela Price
Sistema de amortização com parcela fixa do início ao fim. A amortização começa pequena e vai crescendo; os juros começam altos e caem. O saldo devedor cai mais devagar do que no SAC. No total, o custo costuma ser maior.
Taxa de ocupação
Percentual de dias em que o imóvel está ocupado. Exemplo: 20 dias em 30 = 67%. É o principal driver da renda mensal — mais importante até do que a diária isolada.
Tesouro Direto
Investimento em títulos do governo federal — o mais seguro do Brasil. Principais opções: Tesouro Selic (reserva de emergência), Tesouro Prefixado (taxa travada) e Tesouro IPCA+ (proteção da inflação mais um spread). É o benchmark de retorno que um imóvel precisa superar para fazer sentido.
TIR — Taxa Interna de Retorno
A rentabilidade anual real de um investimento, considerando todo o fluxo de caixa: capital investido, rendas mensais recebidas e valor embolsado na venda. É a métrica mais completa para comparar imóvel com qualquer outro investimento de longo prazo — e a que corretores raramente mostram.
Valor Venal
Preço que a prefeitura atribui ao imóvel para calcular IPTU e ITBI. Quase sempre abaixo do valor de mercado real. Não serve como referência de negociação. Atenção: desde a Reforma Tributária (EC 132/2023), o ITBI passou a incidir sobre o valor de mercado quando este for maior que o valor venal.
Zoneamento
Regra da prefeitura que define o que pode ser construído e como cada área pode ser usada: residencial, comercial, mista. Em SP, o Plano Diretor determina quais bairros permitem uso comercial de hospedagem. Antes de comprar para renda, confirme o zoneamento do endereço.